Tartatec: Tecnologia e Ciência em João Pessoa se Unem para Salvar Filhotes de Tartarugas Marinhas Ameaçados por Mudanças Climáticas

João Pessoa/PB  – Josias Moura de Menezes

Podcast “Ciência na Cidade” da Secitec, revela inovações da UFPB e ONG Guajiru com apoio da SECITEC-JP para monitoramento e conservação no litoral paraibano.—–João Pessoa, Paraíba – Uma parceria inédita entre a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a ONG Guajiru e a Secretaria de Ciência e Tecnologia da Prefeitura de João Pessoa (SECITEC-JP) está utilizando tecnologia de ponta para combater os crescentes impactos das mudanças climáticas e da urbanização na reprodução das tartarugas marinhas no litoral da capital. O projeto, batizado de Tartatec (“Tartarugas Marinhas para Inovação e Conservação”), foi o tema central do mais recente episódio do podcast “Ciência na Cidade”.

O podcast da Secitec foi apresentado pela jornalista Adriana Crisanto e contou com a presença do Professor Guido, Secretário de Ciência e Tecnologia (SECITEC-JP), do Professor George, da UFPB, e da bióloga Daniele (Dani), da Guajiru. O Secretário Professor Guido destacou a importância desta iniciativa através da gestão do Prefeito Cícero Lucena e do Vice-Prefeito Léo, cuja decisão política e orçamentária tem feito o investimento na SECITEC crescer a cada ano.

Queda na Taxa de Nascimento e Ovos Cozidos

A bióloga Daniele e o Professor George, da UFPB, destacaram que, apesar do trabalho de monitoramento da Guajiru há mais de 24 anos ter elevado a média de filhotes lançados ao mar na Paraíba de 12.000 para 20.000 por período reprodutivo (novembro a junho), o último ano registrou uma queda no sucesso reprodutivo.

O principal desafio é o aumento da temperatura na areia dos ninhos, que fez com que muitos ovos chegassem a “cozinhar”, inviabilizando o nascimento. Outra preocupação crítica é a determinação do sexo pela temperatura, onde o calor excessivo gera uma maioria de fêmeas, desequilibrando a população.

A poluição luminosa em áreas urbanas também é um grave problema em João Pessoa, uma das poucas cidades com áreas de desova permanentes em seu trecho urbano. O excesso de luz desorienta os filhotes, levando-os para a estrada em vez do mar, onde morrem. A diferença é notável: enquanto a troca de lâmpadas para a cor âmbar em João Pessoa melhorou a situação em alguns trechos, a manutenção da luz branca em Cabedelo tem forçado as desovas para trás das dunas, onde os ninhos ficam mais suscetíveis à maré.

Inovações Tecnológicas do Tartatec

Para enfrentar esses desafios, o projeto Tartatec está desenvolvendo dois produtos de alta tecnologia, com a participação do Professor Protázio e sua equipe:

  1. “Ovo Espião” (ou Ovo Inteligente):
    • Descrição: Um simulacro de ovo de tartaruga equipado com sensores.
    • Função: Monitorar em tempo real a temperatura, ruído e umidade dentro dos ninhos.
    • Ação: Ao detectar temperaturas que se aproximam dos 32ºC (considerados críticos, sendo 29ºC a temperatura pivotal), o sistema emite um alarme para que a equipe de manejo da Guajiru possa intervir, por exemplo, realizando o sombreamento dos ninhos com palha, evitando o “cozimento” e a interferência na proporção de machos e fêmeas.
  2. Monitoramento com Drones e Inteligência de Máquina:
    • Descrição: Desenvolvimento de um software que usa Inteligência de Máquina para reconhecer automaticamente rastros (pegadas) e ninhos de tartarugas em imagens de drone.
    • Objetivo: Complementar o trabalho dos voluntários da Guajiru, que precisam sair de madrugada antes que o vento ou a maré apaguem os rastros. Esta solução visa mapear e monitorar “bolsões de desova” em áreas remotas e de difícil acesso no litoral paraibano (como Bira Traição, onde há mais de 100 ninhos/ano não cadastrados) e em outros municípios.

Apoio Institucional e Ciência Cidadã

A iniciativa é financiada por meio dos editais de apoio a projetos de pesquisa da SECITEC-JP, que tem dobrado seu orçamento anualmente. O apoio é focado em pesquisadores de João Pessoa, visando que as soluções criadas na cidade (como o Tartatec, que envolve tecnologia, biologia e educação) sejam escaláveis e possam ser futuramente prestadas como serviço para o Brasil e o mundo. O projeto Tartatec ainda pode interagir com o projeto Smart City para regular a intensidade da luz pública.

O projeto também foca em educação ambiental e ciência cidadã com:

  • Tartatum: Um evento no formato hackathon, cujo público-alvo são jovens e adolescentes para buscar novas ideias e soluções para os problemas da conservação.
  • Solturas Programadas: Serão realizadas oito solturas planejadas (nascimentos) com a participação de escolas municipais de João Pessoa, além de duas com populações tradicionais, como pescadores, para conscientização.
  • QR Codes: Placas de identificação de ninhos estão sendo confeccionadas com QR Codes que direcionam para informações sobre a espécie e o projeto, fomentando a divulgação científica e a educação ambiental.

Como Ajudar: A ONG Guajiru, que conta com mais de 120 voluntários, pede à população que, ao encontrar vestígios ou ninhos, entre em contato através do Instagram @associacaoGuajiru ou pelo número de SOS disponível na rede social.

Este conteúdo é baseado no podcast “Ciência na Cidade”, um projeto da Secretaria de Ciência e Tecnologia de João Pessoa (SECITEC-JP) para divulgar seus projetos através do seu canal: secitec-jppb – YouTube.

Compartilhe com outros esta informação

Facebook
Twitter
LinkedIn
Twitter
Email
Telegram
WhatsApp

Outras Notícias

Notícias recentes

O PARAIBANO - PORTAL DE NOTÍCIAS